MUNDO E ECONOMIA / ACORDO EM XEQUE: "França não está pronta", reafirma Macron sobre pacto Mercosul-UE

  • 18/12/2025

MUNDO E ECONOMIA / ACORDO EM XEQUE: "França não está pronta", reafirma Macron sobre pacto Mercosul-UE

Presidente francês volta a endurecer o discurso contra o tratado comercial, citando falta de garantias ambientais e riscos para os agricultores europeus; decisão trava avanço histórico entre os blocos.


PARIS – O aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia sofreu um novo e contundente balde de água fria. O presidente da França, Emmanuel Macron, reafirmou nesta quinta-feira (18) que seu país não assinará o tratado nos moldes atuais. A declaração coloca mais uma barreira em um processo que se arrasta há mais de duas décadas.

Para Macron, o texto atual não oferece as "cláusulas espelho" necessárias, que obrigariam os produtores sul-americanos a seguir as mesmas regras ambientais e sanitárias rigorosas impostas aos produtores franceses.

Os Motivos da Resistência Francesa

A França tem sido a principal voz dissonante dentro da União Europeia em relação ao acordo. Os argumentos de Macron são fundamentados em dois pilares principais:

  1. Proteção ao Agricultor Local: O setor agrícola francês, um dos mais fortes da Europa, teme uma concorrência desleal com a carne e os grãos vindos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que possuem custos de produção menores.
  2. Questões Climáticas: Macron exige que o acordo esteja 100% alinhado com o Acordo de Paris. Ele defende que não pode abrir o mercado europeu para produtos vindos de áreas com altos índices de desmatamento ou que utilizam agrotóxicos proibidos na Europa.

Pressão das Ruas e Impasse Político

A fala do presidente ocorre em um momento de intensa pressão interna. Nas últimas semanas, sindicatos de agricultores em toda a França realizaram protestos e bloquearam estradas contra a ratificação do pacto. Para eles, o acordo é uma "sentença de morte" para a agricultura familiar europeia.

Por outro lado, países como Alemanha e Espanha, além da própria cúpula da Comissão Europeia, defendem a assinatura imediata, argumentando que o acordo é vital para abrir mercados às indústrias europeias e diminuir a dependência comercial da China.

O Que Acontece Agora?

Sem a anuência da França — a segunda maior economia da UE —, o acordo entra novamente em uma zona de incerteza. Para que o tratado avance, a Comissão Europeia precisaria:

  • Dividir o acordo para aprová-lo por partes (o que a França tenta impedir).
  • Ou convencer o governo francês através de novas concessões ambientais ainda mais rígidas, algo que os países do Mercosul, incluindo o Brasil, veem com ressalvas por considerarem protecionismo disfarçado de pauta verde.

O impasse continua e o "final feliz" para o maior acordo comercial do planeta parece, mais uma vez, ter sido adiado.


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