Ajustes de Ancelotti surtem efeito no placar, mas é cedo para empolgação com a Seleção

  • 20/06/2026

Ajustes de Ancelotti surtem efeito no placar, mas é cedo para empolgação com a Seleção

Após o triunfo por 3 a 0 sobre o Haiti, Brasil mostra evolução tática e caminha rumo à classificação, mas teste real virá na última rodada contra a Escócia.

Por: Redação Portal do Canal do Nekinhas Ipatinga, 20 de junho de 2026

A vitória da Seleção Brasileira por 3 a 0 diante do Haiti, na noite desta sexta-feira (19) na Filadélfia, trouxe o alívio que o técnico Carlo Ancelotti e a torcida tanto precisavam. Após uma estreia amarga com o empate por 1 a 1 contra o Marrocos, que ligou o sinal de alerta e gerou cobranças internas, as mudanças promovidas pelo comandante italiano surtiram efeito imediato. Contudo, a goleada desenha um cenário que pede cautela: o Brasil evoluiu, mas o nível do adversário exige pés no chão.

O dedo do treinador: Mais intensidade e profundidade

Criticado pela falta de criatividade no primeiro jogo, Ancelotti mexeu na estrutura da equipe. O Brasil entrou em campo com uma postura muito mais agressiva na marcação e buscando transições rápidas. Com Vinícius Jr. chamando a responsabilidade pela esquerda e Bruno Guimarães ditando o ritmo no meio-campo, a Seleção sufocou as linhas defensivas do Haiti.

Os gols foram consequência natural dessa superioridade. Matheus Cunha desencantou sob o comando do novo técnico e balançou as redes duas vezes, mostrando que pode ser o homem de referência na ausência de Neymar, que segue em tratamento de lesão em Nova Jersey. Vinícius Jr., em jogada de pura velocidade após lançamento primoroso de Lucas Paquetá, fechou a conta ainda na etapa inicial.

Segunda etapa expõe velhos problemas e pede atenção

Se os primeiros 45 minutos foram de manual, o segundo tempo deixou claro por que o torcedor ainda deve conter a euforia. Com a vantagem confortável, o Brasil diminuiu a intensidade e viu o Haiti assustar em jogadas de bola aérea — um dos pontos de atenção já destacados pelo lateral Danilo durante a semana. O goleiro Alisson precisou trabalhar, e a defesa chegou a salvar uma bola em cima da linha.

Ancelotti aproveitou o momento para rodar o elenco, promovendo as entradas de joias como Endrick e Gabriel Martinelli. O time criou chances, teve gols anulados por impedimento, mas o ritmo geral caiu, evidenciando que a oscilação tática e a falta de maturidade coletiva em competições de tiro curto ainda são desafios a serem superados.

Cenário no Grupo C e o verdadeiro teste

Com os quatro pontos somados, o Brasil encaminha a sua classificação para o mata-mata e ganha tranquilidade para trabalhar. No entanto, o verdadeiro termômetro para medir as reais aspirações deste ciclo sob o comando de Ancelotti será na próxima quarta-feira (24), contra a Escócia, em Miami.

Os escoceses lideram a chave e apresentam um modelo de jogo fisicamente intenso e taticamente rigoroso. Será o confronto ideal para entender se as engrenagens da "máquina" de Ancelotti — que recentemente comparou o desafio de organizar a Seleção à precisão dos desfiles de Carnaval — estão realmente prontas para os desafios pesados da Copa do Mundo.

Os ajustes começaram a aparecer, o placar convenceu, mas a Copa do Mundo pune os desatentos. O momento é de evolução, não de festa antecipada.

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