Ex-presidente do Sindipa é condenado a mais de 17 anos de prisão por desvio de recursos em Ipatinga
- 16/06/2026
O ex-presidente do Sindipa (Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga e região), Luiz Carlos Miranda Faria, foi condenado pela Justiça de Minas Gerais a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado. A decisão é do juiz Reidric Victor da Silveira Conde Neiva e Silva, da 1ª Vara Criminal de Ipatinga, e cabe recurso. Apesar da gravidade da pena, o ex-dirigente responde ao processo em liberdade.
Além do tempo de reclusão, Luiz Carlos terá que pagar uma multa e restituir R$ 65,6 mil aos cofres do sindicato como reparação pelos danos financeiros causados à entidade.
A condenação mexe diretamente com o cenário político regional: Luiz Carlos vinha se movimentando nos bastidores como pré-candidato a deputado estadual para as eleições deste ano. Inclusive, no início de 2026, o ex-parlamentar esteve no Nekinhas Podcast, onde concedeu uma entrevista exclusiva falando sobre suas pretensões e sua trajetória no Vale do Aço.
O Esquema: Recursos do Sindicato na Campanha de 2010
A condenação é o resultado de uma investigação que apontou que, no passado, o ex-presidente utilizou a estrutura e o dinheiro dos trabalhadores para financiar sua campanha eleitoral — justamente para o cargo de deputado estadual, no ano de 2010.
A Justiça detalhou duas frentes principais de desvio de recursos na época:
1. A "Farra dos Combustíveis"
O ponto que mais chamou a atenção dos investigadores foi o gasto explosivo com combustíveis entre julho e setembro de 2010, período que coincidia com a campanha política daquele ano.
- O rombo: O sindicato gastou mais de R$ 61 mil em combustível em apenas três meses.
- A conta não fecha: Somente em setembro de 2010, foram registrados 356 abastecimentos, totalizando 10.743 litros de combustível.
- O detalhe: A frota total do Sindipa era de apenas 5 veículos.
- Combustível fantasma: A investigação também descobriu notas de compra de 50 litros de óleo diesel — sendo que nenhum dos cinco carros do sindicato usava esse tipo de combustível. O gerente do posto de gasolina confirmou em depoimento que os abastecimentos iam para veículos estranhos à entidade, ligados à campanha.
2. Festa do Trabalhador "Fora de Época"
Outra prova contundente usada pelo magistrado foi a mudança no calendário da tradicional festa do Dia do Trabalhador promovida pelo Sindipa.
O evento, que historicamente acontece no mês de maio, foi estrategicamente antecipado para agosto de 2010. Segundo o depoimento de testemunhas, a festividade foi amplamente utilizada como palanque político para promover a candidatura de Luiz Carlos.
Impacto Político Atual
A sentença da 1ª Vara Criminal cai como uma bomba na pré-campanha de Luiz Carlos Miranda no Vale do Aço. Embora a defesa do ex-líder sindical possa recorrer da sentença nos tribunais superiores — o que garante a ele o direito de responder em liberdade sem prisão imediata —, o desgaste jurídico deve reconfigurar as articulações para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) este ano.
Espaço Aberto: O Portal do Canal do Nekinhas deixa o espaço aberto para que a defesa de Luiz Carlos Miranda Faria se manifeste sobre a decisão judicial.




