Senado inicia debates sobre o fim da escala 6x1; proposta prevê transição em duas etapas
- 08/06/2026
O debate sobre o fim da escala 6x1 — modelo atual onde o trabalhador cumpre seis dias de serviço para um de descanso — ganha um novo e decisivo capítulo. Após ser aprovada na Câmara dos Deputados no fim de maio, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais começa a ser formalmente discutida no Senado.
A expectativa é que o rito e o ritmo de votação comecem a ser desenhados na reunião entre os líderes partidários e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
"Sem pressa": O caminho dentro do Senado
Ao contrário do que aconteceu na Câmara, onde a tramitação ganhou forte tração popular e política, a sinalização inicial da cúpula do Senado é de cautela. Alcolumbre já indicou que o texto não seguirá direto para o Plenário e deverá passar antes pelas comissões da Casa — provavelmente iniciando pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA).
O objetivo declarado é ouvir setores afetados, como o comércio e a indústria, que demonstram forte resistência e alertam para o risco de aumento nos custos de produção e serviços.
Como funciona a transição proposta?
O texto atual aprovado pelos deputados não corta salários e busca implantar o modelo 5x2 de forma gradual. Confira os principais pontos da transição:
- Prazo total: A mudança completa levará 14 meses.
- Primeira etapa: Redução de duas horas na jornada semanal (de 44h para 42h), passando a valer 60 dias após a promulgação da emenda.
- Segunda etapa: Nova redução de duas horas (atingindo as 40h semanais finais), aplicada 12 meses após a primeira fase.
- Flexibilidade: A proposta garante os dois dias de folga na semana — preferencialmente aos domingos —, mas permite escalas flexíveis de acordo com convenções e acordos coletivos de cada setor.
O fator político: Enquanto o Governo Federal enxerga a medida como uma prioridade de forte apelo social, a oposição na Casa já se movimenta com um projeto alternativo que foca na remuneração por hora trabalhada, o qual também deve correr em paralelo na CCJ.
O avanço da matéria no Senado medirá a temperatura da relação entre o Planalto e o Congresso, colocando frente a frente as demandas da classe trabalhadora e as pressões do setor empresarial. O Canal do Nekinhas segue acompanhando os desdobramentos e os bastidores de Brasília.




