RELIGIÃO E SOCIEDADE: Fiéis e apoiadores abraçam Padre Júlio Lancellotti em primeira missa após veto digital

  • 22/12/2025

RELIGIÃO E SOCIEDADE: Fiéis e apoiadores abraçam Padre Júlio Lancellotti em primeira missa após veto digital

Mesmo proibido de transmitir celebrações pela internet, pároco da Mooca reúne multidão em São Paulo; "Se amar os pobres incomoda, amemos até o fim", declarou o religioso durante homilia emocionante.


SÃO PAULO, 22 de Dezembro de 2025 – O domingo (21) foi marcado por uma demonstração de apoio maciça ao Padre Júlio Lancellotti. Após a determinação da Arquidiocese de São Paulo que o proibiu de transmitir suas missas ao vivo e de atualizar suas redes sociais, fiéis e ativistas lotaram a capela da Universidade São Judas, na Mooca, para acompanhar a celebração de forma exclusivamente presencial.

A decisão do cardeal arcebispo Dom Odilo Scherer, comunicada na semana passada, gerou forte repercussão nacional e transformou o pátio da igreja em um ponto de manifestação política e espiritual.

O Clima da Celebração

Sem as câmeras que costumavam levar suas palavras a mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram e milhares de espectadores no YouTube, Padre Júlio focou no contato direto com a comunidade. A capela ficou pequena para o público, que transbordou para os corredores e pátio.

Destaques da Missa:

  • Mensagem de Resistência: Em seu sermão, o padre reafirmou seu compromisso com a Pastoral do Povo de Rua. "Eu não quero ser exemplo para ninguém, eu só quero ser irmão de todos vocês, especialmente dos mais pobres e abandonados", afirmou.
  • Obediência com Resiliência: Lancellotti reiterou que segue as diretrizes da Igreja e que o "recolhimento temporário" das redes sociais é uma ordem superior que ele cumprirá com espírito de obediência.
  • Homenagens: Ao final do rito, flores de papel foram erguidas pelos presentes como símbolo do movimento "Flores pela Democracia".

Entenda o Veto da Arquidiocese

A suspensão das atividades digitais de um dos padres mais influentes do Brasil não teve um motivo detalhado publicamente pela Arquidiocese. Dom Odilo Scherer limitou-se a dizer que o assunto é "interno, de um bispo com seu padre".

No entanto, o cenário ocorre após meses de ataques e denúncias contra o religioso. Recentemente, um dossiê entregue à Embaixada do Vaticano por parlamentares de direita pedia a investigação e até a excomunhão do padre, alegando "proselitismo político" e outras irregularidades. A Igreja, por sua vez, afirma que o afastamento das redes visa a "proteção" do próprio sacerdote.

Repercussão e Futuro

A proibição reacendeu o debate sobre o papel da Igreja nas questões sociais e a liberdade de expressão de seus membros. Enquanto apoiadores falam em "censura", críticos celebram o que chamam de "volta à ordem litúrgica".

Apesar do silêncio nas redes sociais oficiais (@padrejulio.lancellotti), vídeos gravados por fiéis durante a missa deste domingo viralizaram, mostrando que, mesmo "desplugado", a voz do coordenador da Pastoral de Rua continua ecoando forte.

"A palavra tem de ser pregada para todos. Tirar a transmissão é tirar o conforto de quem não pode se deslocar até aqui", lamentou uma fiel presente no local.


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